Grandes Golpes
Encol
a apuração por trás do vídeo

Encol: isso ainda pode acontecer com quem compra na planta

Encol S.A. Engenharia, Comércio e Indústria · 1961-2026
A maior construtora do Brasil faliu com mais de 700 obras paradas. Muitas foram terminadas. Por quem, e quem pagou a conta?
O que era
A maior construtora do Brasil nos anos 1990: mais de 100 mil imóveis construídos, mais de 20 mil empregados, e venda facilitada, aceitando até carro e linha telefônica como parte do pagamento. Pediu concordata (um pedido à Justiça para renegociar as dívidas) no fim de 1997 e faliu em 16 de março de 1999, deixando 708 obras paradas e cerca de 40 mil famílias de compradores.
Segundo a imprensa e um estudo acadêmico, o dinheiro das obras se misturava e o de umas pagava as outras; o próprio fundador disse, em 1997, que a empresa lançava imóveis à medida que vendia. Quando o caixa secou, muitos prédios só ficaram prontos porque os próprios compradores os terminaram, pagando de novo. A proteção criada depois, o patrimônio de afetação, separa o dinheiro de cada prédio. Segundo a imprensa do setor, quase todas as construtoras usam hoje; mas a lei não obriga, e a proteção só vale se estiver registrada no cartório.

Situação na Justiça

Pessoa sem condenação definitiva não é tratada como autora de crime neste vídeo nem nesta página: o verbo é o do documento.
prescriçãoPedro Paulo de Souza fundador e controlador da Encol
pela quebra da Encol em si, o material não traz sentença. Num processo paralelo, por declaração falsa à Caixa para obter um empréstimo (segundo a ConJur, com informações do MPF), foi condenado em primeira instância em 2000 pela 5ª Vara Federal de Goiânia; em abril de 2010 ficou menos de 24 horas preso e foi solto por habeas corpus do TRF1; segundo o MPF-GO, citado pelo Metrópoles em 2023, o processo terminou em 2010 com a pena já prescrita

Como o dinheiro andou

1997compradores de imóveis na planta (cerca de 40 mil famílias) → caixa da Encol: prestações de todas as obras, inclusive pagas com carro, imóvel e linha telefônica (antes da crise, os compradores ainda deviam R$ 1,561 bilhão, segundo o fundador) · valor não informado nas fontes T2 secundária
1994caixa da Encol → obras e lançamentos: o dinheiro das obras se misturava: o de umas pagava as outras · valor não informado nas fontes T2 secundária
1996Banco do Brasil e Caixa → Encol: empréstimos; perdas apuradas pelo TCU · perdas de pelo menos R$ 500 milhões (BB, 1993-1996) e mais de R$ 300 milhões (Caixa) T2 secundária
1999Encol → bancos: antes da falência, empreendimentos dados em hipoteca como garantia de empréstimos · valor não informado nas fontes T2 secundária
1999Justiça e massa falida → compradores reunidos em associações: a grande maioria das 708 obras paradas, para que eles mesmos terminassem · 708 obras T2 secundária
2006compradores → novas construtoras: o custo de terminar a obra, dividido entre os donos, às vezes pago com apartamentos vagos · no fim, 25% a mais do que o valor inicial, segundo um advogado que atendeu cerca de três mil clientes T2 secundária
2025massa falida (dinheiro de terrenos) → ex-funcionários: pagamento de verbas trabalhistas · R$ 225 milhões a mais de 6,8 mil trabalhadores desde outubro de 2018 T2 secundária

O outro lado

Pedro Paulo de Souza, em livro e entrevista à IstoÉ Dinheiro (21/07/2010)
Atribui a falência a uma trama de diretores do Banco do Brasil, que, segundo ele, queriam ficar com a empresa; diz que com um banco privado a Encol não teria falido.
T2 secundária IstoÉ Dinheiro, 21/07/2010 · T2 secundária IstoÉ Dinheiro, 21/07/2010 · T2 secundária IstoÉ Dinheiro, 21/07/2010
Pedro Paulo de Souza, à Folha de S.Paulo em 1997 (citado pela Exame)
Admitiu que a empresa cresceu acima do desejável, errou no controle e lançava imóveis à medida que vendia; disse que, antes da crise, a empresa tinha patrimônio líquido positivo.
T2 secundária Exame, 24/11/2025 · T2 secundária Exame, 24/11/2025 · T2 secundária Exame, 24/11/2025
A defesa de Pedro Paulo de Souza, no pedido de habeas corpus (abril de 2010)
Disse que a decisão final saiu publicada só com o nome de um advogado já morto e que, por isso, a certidão de trânsito em julgado estava errada.
T2 secundária Pedido de habeas corpus da defesa ao TRF1, abril de 2010 (publicado pela Migalhas) · T2 secundária Pedido de habeas corpus da defesa ao TRF1, abril de 2010 (publicado pela Migalhas)
Ex-executivos do Banco do Brasil (IstoÉ Dinheiro, 21/07/2010)
Contestaram a versão do fundador: a Encol não caiu por plano nenhum, e sim por não sobreviver numa economia estabilizada.
T2 secundária IstoÉ Dinheiro, 21/07/2010 · T2 secundária IstoÉ Dinheiro, 21/07/2010
A proteção criada depois da Encol existe, mas a lei deixa a escolha com a construtora, e ela só vale se estiver anotada no cartório. Antes de comprar na planta, peça a matrícula do imóvel e confira se o patrimônio de afetação está averbado.

Em que este vídeo se apoia

O vídeo inteiro depende destas 5 afirmações. Se alguma delas cair, o vídeo cai junto. Os links vão direto para a fonte.
T2 secundária Segundo a reportagem da AutImob, a Encol usava o dinheiro de um lançamento para bancar o seguinte, numa cadeia que não se sustentava.
T2 secundária A grande maioria das 708 obras foi transferida aos próprios compradores.
T2 secundária Em 2006, o advogado Hamilton Quirino, que atendeu cerca de três mil clientes da Encol, disse que praticamente todos os empreendimentos foram concluídos, mas que no fim os compradores pagaram 25% a mais do que o valor inicial.
T1 primária O STJ fixou em súmula, em 2005, que a hipoteca entre a construtora e o banco não vale contra quem comprou o imóvel.
T1 primária A medida provisória do patrimônio de afetação deixou a regra opcional: a critério da construtora (o incorporador), a obra podia ou não ser colocada nesse regime.

Cronologia

1961A Encol é fundada pelo engenheiro Pedro Paulo de Souza. T2 secundária
1994Plano Real: a inflação cai e o caixa da empresa começa a secar. (confiança média) T2 secundária
1997Em janeiro, um grupo de bancos tenta uma saída para os credores, sem sucesso; no fim do ano, a Encol pede concordata com 710 obras paradas e 42 mil compradores à espera. T2 secundária
1999-03Em Sorocaba, a Justiça Federal entrega dois prédios aos compradores para que terminem as obras. T2 secundária
1999-03-16Falência decretada; dívida estimada em R$ 2,5 bilhões; 708 obras inacabadas. T2 secundária
2000-02Em Curitiba, os compradores de um prédio comercial da Encol conseguem recomeçar a obra. T2 secundária
2001-09-04Medida provisória cria o patrimônio de afetação, opcional. T2 secundária
2004-08-02A Lei 10.931 substitui a medida provisória; a afetação continua opcional. T1 primária
2005-04-25O STJ publica a Súmula 308: a hipoteca da construtora com o banco não vale contra quem comprou. T1 primária
2010-04O fundador fica menos de 24 horas preso e é solto por habeas corpus, num processo paralelo sobre um empréstimo da Caixa. Segundo o MPF-GO, esse processo terminou em 2010 com a pena já prescrita. T2 secundária
2018-10Novo síndico assume a massa falida; desde então, pagou R$ 225 milhões a mais de 6,8 mil trabalhadores. T2 secundária
2023-01A massa falida tem pouco mais de R$ 200 milhões em caixa. T2 secundária

O que se diz × o que os documentos mostram

A versão que circula
"Quem comprou na Encol perdeu tudo, e ficaram 700 esqueletos de concreto."
O que a apuração encontrou
A grande maioria das 708 obras paradas foi entregue aos próprios compradores, que formaram associações e contrataram outras construtoras para terminar. Muitos prédios ficaram prontos, mas os compradores pagaram de novo: no fim, 25% a mais do que o valor inicial, segundo um advogado que atendeu cerca de três mil clientes da Encol ("pagamos duas vezes", disse a presidente da associação dos donos de um prédio em Curitiba). Quem não conseguiu pagar a parte nova perdeu o imóvel (em Salvador, podia pedir o dinheiro de volta à massa falida), e há prédios que nunca foram concluídos, como o Wille Dijon, em Manaus.
A versão que circula
"Depois da Encol a lei mudou, e isso não acontece mais."
O que a apuração encontrou
Em parte é verdade. A proteção criada depois da Encol, o patrimônio de afetação (primeiro numa medida provisória de 2001, depois na lei de 2004), separa o dinheiro de cada prédio e tira a obra da falência da construtora. Segundo a reportagem da AutImob, quase todas as incorporadoras usam hoje, e um advogado ouvido por ela diz que os bancos só financiam obra que tem essa proteção. Mas a lei não obriga: é escolha da construtora, e a proteção só existe se estiver averbada (anotada) no Registro de Imóveis. E mesmo com ela, se a construtora quebrar, são os compradores que decidem em assembleia se continuam a obra ou liquidam o que existe.
A versão que circula
"O banco tomou o apartamento de quem tinha pago."
O que a apuração encontrou
A Encol hipotecou empreendimentos a bancos, mas o STJ fixou em 2005, numa súmula nascida de casos de compradores da Encol, que a hipoteca entre construtora e banco não vale contra quem comprou o imóvel. Quase todos os casos que deram origem à súmula eram de financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação, e o STJ já decidiu que ela não se aplica à alienação fiduciária, a garantia em que o imóvel pertence ao credor até a dívida ser paga: nesse caso, a venda feita pela construtora a um comprador não vale contra o credor.

Desfecho

Falência decretada em 16/03/1999 pela Justiça de Goiânia, com 708 obras inacabadas e dívida estimada em R$ 2,5 bilhões. A grande maioria das obras foi transferida aos compradores, e muitas foram terminadas por eles, pagando de novo. Uma medida provisória de 2001 e a Lei 10.931/2004 criaram o patrimônio de afetação, que a lei deixa opcional e que, segundo a imprensa do setor, quase todas as incorporadoras usam hoje; em 2005 o STJ editou a Súmula 308. A massa falida segue aberta: desde outubro de 2018 pagou R$ 225 milhões a trabalhadores e, em janeiro de 2023, tinha pouco mais de R$ 200 milhões em caixa. O fundador foi condenado em primeira instância em 2000 num processo paralelo sobre um empréstimo da Caixa; segundo o MPF-GO, o processo terminou em 2010 com a pena já prescrita.

Ressalvas

• Pessoas citadas: Pedro Paulo de Souza, como fundador, pela versão que deu da falência e pelo processo sobre o empréstimo da Caixa. Pela quebra da Encol em si, o material não traz sentença contra ele. O síndico Miguel Ângelo Cançado e a juíza Luciana Amaral, pela função que exercem. Os advogados Hamilton Quirino, Diego Amaral e Viviane Amaral, pelas avaliações que deram à imprensa.
• Situação do processo da Caixa: a ConJur noticiou em abril de 2010, com informações do MPF, que a decisão tinha transitado em julgado em 9 de março. Um mês depois, o fundador foi preso, ficou menos de 24 horas na cadeia e foi solto por habeas corpus do TRF1; no pedido, a defesa disse que a decisão final tinha saído publicada só com o nome de um advogado já morto, o que tornava errada a certidão de trânsito em julgado. Em 2023, o MPF-GO, citado pelo Metrópoles, disse que o processo terminou em 2010 com a pena já prescrita. Ficamos com a informação mais recente.
• Números de obras e famílias: as fontes falam em 708 e 710 obras e em 40 mil ou 42 mil famílias, conforme a data (concordata de 1997 ou falência de 1999). Outras fontes, não usadas aqui, dão números diferentes. No vídeo, "mais de 700 obras" e "cerca de 40 mil famílias".
• Bancos que tentaram salvar a empresa em 1997: 38 segundo o Correio Braziliense, 30 segundo a Exame. O vídeo não diz o número.
• Data e dívida da falência: a reportagem do Valor (2003) que traz as perdas dos bancos públicos data a falência em fevereiro de 1999 e fala em dívidas de R$ 2 bilhões. Usamos 16/03/1999 (Rota Jurídica) e R$ 2,5 bilhões (Correio Braziliense e Exame).
• Quantos prédios foram terminados: não há número oficial. A Exame diz que a grande maioria das obras foi transferida aos compradores; um advogado disse em 2006 que praticamente todas foram concluídas; em Salvador, em 2010, só 52% estavam prontas. O vídeo não afirma uma porcentagem nacional.
• O "pagaram 25% a mais" é estimativa do advogado Hamilton Quirino, que atendeu cerca de três mil clientes da Encol, não um levantamento. Quanto os compradores perderam no total não está no material.
• O caixa misturado: o material traz o mecanismo pela reportagem da AutImob, por um estudo acadêmico e pela IstoÉ Dinheiro. O fundador disse, em 1997, que a empresa lançava imóveis à medida que vendia, o que não é o mesmo que dizer que o dinheiro de uma obra pagava outra. O material não traz o relatório da falência.
• Quantas construtoras usam o patrimônio de afetação hoje: o "99,9%" é afirmação da reportagem da AutImob, sem fonte de dados. Não há número oficial no material.
• Patrimônio de afetação: os trechos citados são da medida provisória de 2001; a Lei 10.931/2004, que a substituiu, manteve a escolha com a construtora, a averbação no Registro de Imóveis, a separação da obra na falência e a assembleia dos compradores (artigos 31-A a 31-F da Lei 4.591/1964).
• Súmula 308: segundo a coluna da Migalhas, quase todos os casos que deram origem a ela eram do Sistema Financeiro da Habitação, e o STJ decidiu, no REsp 2.130.141, que ela não se aplica à alienação fiduciária.
• Pagamentos da massa falida: R$ 225 milhões a trabalhadores desde outubro de 2018 (Exame, 2025); mais de R$ 200 milhões desde 1999 (Rota Jurídica, 2023). São recortes de tempo diferentes.
• Valor de hoje: conta do canal, pelo IPCA de abril de 1999 a setembro de 2026, sobre a dívida estimada de R$ 2,5 bilhões em março de 1999.
• Perdas dos bancos públicos (R$ 500 milhões do Banco do Brasil, R$ 300 milhões da Caixa): números de uma apuração do TCU noticiada pelo Valor em 2003, antes do julgamento; o material não traz a decisão final do TCU.
• Famosos: não achamos comprador nem garoto-propaganda famoso com fonte.
• A data 1994 tem confiança média: Plano Real: a inflação cai e o caixa da empresa começa a secar.

Fontes

  1. T2 secundária
    Nos anos 1990 a Encol construiu mais de 100 mil imóveis no Brasil e empregou mais de 20 mil pessoas.
    “a Encol construiu mais de 100 mil imóveis em todo o Brasil nos anos 1990, empregando mais de 20 mil pessoas”
  2. T2 secundária
    Para vender, a Encol aceitava carros, outros imóveis e até linha telefônica como parte do pagamento.
    “incluindo a possibilidade de utilizar carros, outros imóveis e até linha telefônica como forma de pagamento”
  3. T2 secundária
    A Encol foi fundada em 1961 pelo engenheiro Pedro Paulo de Souza.
    “Fundada em 1961 pelo engenheiro capixaba Pedro Paulo de Souza”
  4. T2 secundária
    A Encol era uma construtora goiana.
    “a Encol, construtora e incorporadora goiana, desmoronou”
  5. T2 secundária sustenta a tese
    Segundo a reportagem da AutImob, a Encol usava o dinheiro de um lançamento para bancar o seguinte, numa cadeia que não se sustentava.
    “A empresa utilizava o dinheiro de um lançamento para poder bancar o segundo, e assim por diante, criando uma cadeia insustentável a longo prazo”
  6. T2 secundária
    Um dos motivos da falência apontados em estudo acadêmico: o dinheiro dos compradores antigos era usado para lançar empreendimentos novos.
    “um dos motivos da falência da ENCOL foi a prática da utilização dos recursos capitados dos mutuários antigos para lançamentos de novos empreendimentos”
  7. T2 secundária
    A IstoÉ Dinheiro descreve o mesmo mecanismo: as receitas dos lançamentos novos pagavam as obras vendidas antes, até as fontes secarem.
    “As receitas dos lançamentos bancavam as construções vendidas anteriormente, até que um dia as fontes financeiras secaram”
  8. T2 secundária
    Em 1997 o fundador admitiu, em entrevista à Folha de S.Paulo citada pela Exame, que a empresa cresceu acima do desejável e errou no controle.
    “Em 1997, em entrevista à Folha de São Paulo , de Souza chegou a fazer um mea culpa, afirmando que cresceram acima do desejável e que erraram na parte de controle”
  9. T2 secundária
    Em 1997, à Folha de S.Paulo (citado pela Exame), o fundador disse que a empresa ia lançando imóveis à medida que vendia, e que o crescimento ficou indesejável com os juros altos.
    ““Íamos lançando os imóveis à medida que íamos vendendo. O crescimento que seria normal em uma economia normal passou a ser indesejável em uma economia que passou a praticar juros altos””
  10. T2 secundária
    Com o Plano Real e a inflação estabilizada, o caixa da empresa foi secando, segundo o advogado Diego Amaral, ouvido pela AutImob.
    “Com o Plano Real, a inflação é estabilizada no país e o caixa da empresa foi secando”
  11. T2 secundária
    Em maio do ano seguinte ao inquérito de 1994, a Encol precisou renegociar a dívida com o Banco do Brasil.
    “A confiança na empresa começou a ruir, no entanto, quando em maio do ano seguinte a Encol precisou renegociar sua dívida com o Banco do Brasil”
  12. T2 secundária
    Meses depois, o Banco do Brasil fez uma espécie de intervenção branca na Encol, indicando um executivo para acompanhar a administração do dia a dia.
    “Meses depois, o BB promoveu uma espécie de intervenção branca na companhia, indicando um executivo para acompanhar a administração do dia a dia”
  13. T2 secundária
    Em janeiro de 1997, um grupo de 38 bancos tentou uma solução para os credores, sem sucesso.
    “Em janeiro de 1997, um pool de 38 bancos tentou encontrar uma solução para todos os credores, mas não houve sucesso”
  14. T2 secundária
    A Exame fala em 30 bancos unidos que não salvaram a empresa da falência.
    “Nem mesmo o esforço de 30 bancos unidos salvaram a Encol da falência”
  15. T2 secundária
    No fim de 1997 a Encol pediu concordata, com 710 obras paradas e 42 mil compradores esperando os imóveis.
    “No fim daquele ano, a empresa entrou oficialmente com o pedido de concordata, quando contabilizava 710 obras paralisadas e 42 mil mutuários aguardando a entrega de seus imóveis”
  16. T2 secundária
    Segundo o fundador, antes da crise a empresa tinha patrimônio líquido positivo estimado em R$ 400 milhões, R$ 900 milhões em imóveis para vender, e os compradores ainda deviam R$ 1,561 bilhão.
    “Até então, segundo o fundador da Encol, a empresa tinha um patrimônio líquido positivo estimado em R$ 400 milhões, um estoque de unidades para vender de R$ 900 milhões e os mutuários ainda tinham R$ 1,561 bilhão a pagar”
  17. T2 secundária
    A falência da Encol foi decretada em 16 de março de 1999.
    “Desde o início da falência, decretada em 16 de março de 1999, já foram pagos mais de R$ 200 milhões de créditos trabalhistas”
  18. T2 secundária
    A falência corre na 11ª Vara Cível de Goiânia.
    “titular da 11ª Vara Cível da Comarca de Goiânia, juíza Luciana Amaral, que preside a falência”
  19. T2 secundária
    Ao falir, em 1999, a Encol deixou 708 obras inacabadas, do Rio Grande do Sul ao Amazonas.
    “Em 1999, a incorporadora teve a falência decretada, deixando 708 obras inacabadas pelo país, do Rio Grande do Sul ao Amazonas”
  20. T2 secundária
    A falência deixou mais de 23 mil funcionários e cerca de 40 mil famílias de compradores.
    “Ao falir, em março de 1999, deixou mais de 23 mil funcionários em todo o País e cerca de 40 mil famílias de mutuários”
  21. T2 secundária
    Na falência, a dívida estimada era de R$ 2,5 bilhões, e a venda de todo o patrimônio não renderia mais de R$ 500 milhões.
    “Em março de 1999, a Justiça decretou a falência da Encol. Levantamentos da época indicavam que a empresa devia R$ 2,5 bilhões. Mas, mesmo que todo o seu patrimônio fosse vendido, não conseguiria arrecadar mais do que R$ 500 milhões”
  22. T2 secundária
    A Exame também estima o prejuízo da época em R$ 2,5 bilhões.
    “O prejuízo financeiro estimado na época ficou em R$ 2,5 bilhões”
  23. T2 secundária
    Os prédios parados estavam espalhados por 66 cidades.
    “esqueletos de concreto fincados em 66 cidades brasileiras”
  24. T2 secundária
    Outros 10 mil clientes já moravam nos apartamentos, mas não tinham a escritura definitiva.
    “Outros 10 mil clientes já moravam em seus apartamentos, mas não tinham a escritura definitiva do imóvel”
  25. T2 secundária
    A Justiça de Goiânia decretou a falência e, na mesma época, a prisão do controlador da empresa.
    “A decisão saiu quase ao mesmo tempo em que a Justiça de Goiânia decretava a falência da construtora e a prisão de seu controlador, Pedro Paulo de Souza”
  26. T2 secundária
    Segundo apuração do TCU noticiada pelo Valor em 2003, o Banco do Brasil perdeu pelo menos R$ 500 milhões com créditos à Encol entre 1993 e 1996, e a Caixa, mais de R$ 300 milhões.
    “De acordo com o que apurou o TCU, o Banco do Brasil perdeu com esses créditos pelo menos R$ 500 milhões entre 1993 e 96, e a Caixa Econômica Federal perdeu mais de R$ 300 milhões”
  27. T2 secundária
    Houve uma CPI dos bancos no Senado em 1999.
    “relatório feito pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos bancos, realizada no Senado em 1999”
  28. T2 secundária
    Essa CPI concluiu que os empréstimos não seguiram as normas do próprio Banco Central.
    “A CPI constatou que os empréstimos não seguiram as normas do próprio BC”
  29. T2 secundária sustenta a tese
    A grande maioria das 708 obras foi transferida aos próprios compradores.
    “A grande maioria dos 708 empreendimentos da Encol que estavam em andamento na época da falência da empresa foi transferida aos próprios proprietários dos imóveis”
  30. T2 secundária
    Os compradores formaram associações e contrataram outras construtoras para terminar as obras.
    “eles constituíram associações para contratar outras empresas ou incorporadoras para finalizar a construção”
  31. T2 secundária
    Mesmo terminando os prédios, os compradores tiveram prejuízos significativos.
    “é verdade que eles tiveram que suportar prejuízos significativos”
  32. T2 secundária
    Como funcionava: uma associação de compradores assumia a incorporação e contratava outra construtora.
    “Monta-se uma comissão através de uma associação criada, toma para si a incorporação, e contratam outras construtoras para finalizar a obra”
  33. T2 secundária
    O advogado Diego Amaral cita o Parque dos Girassóis e o Paço das Artes, em Goiânia, projetos da Encol terminados por outras construtoras.
    “O empreendimento Parque dos Girassóis e o Paço das Artes. Esses dois empreendimentos eram projetos da Encol que tiveram sua recuperação trabalhada e foram finalizados por outras construtoras”
  34. T2 secundária
    Segundo o mesmo advogado, quem desistiu ou não tinha dinheiro para entrar na associação perdeu o imóvel.
    “Tiveram pessoas que desistiram e, naturalmente, perderam seus imóveis mesmo, porque não tinham interesse ou condições de entrar numa associação de recuperação de empreendimento”
  35. T2 secundária sustenta a tese
    Em 2006, o advogado Hamilton Quirino, que atendeu cerca de três mil clientes da Encol, disse que praticamente todos os empreendimentos foram concluídos, mas que no fim os compradores pagaram 25% a mais do que o valor inicial.
    “Praticamente a totalidade dos empreendimentos foi concluída", afirma Hamilton Quirino, um advogado especializado em direito imobiliário que atendeu cerca de três mil clientes da Encol. "Mas isso não evitou o prejuízo desses consumidores. No final eles pagaram 25% a mais do que o valor inicial”
  36. T2 secundária
    Em Curitiba, a presidente da associação dos proprietários de um prédio comercial terminado pelos compradores disse: "Pagamos duas vezes pelo empreendimento, mas valeu a pena".
    “Pagamos duas vezes pelo empreendimento, mas valeu a pena", afirma a presidente da Associação dos Proprietários do Condomínio Triumph Center Batel”
  37. T2 secundária
    Nesse prédio de Curitiba, 70% do valor da obra já estava pago quando a construtora faliu.
    “70% do valor da obra já havia sido pago quando a construtora faliu”
  38. T2 secundária
    Em 2005, era o décimo prédio terminado pelos compradores em Curitiba, e ainda havia 25 obras inacabadas ou abandonadas na cidade.
    “Este é o décimo prédio concluído pelos mutuários da Encol em Curitiba. Existem ainda 25 obras inacabadas ou totalmente abandonadas na capital”
  39. T2 secundária
    Nesse prédio de Curitiba, as obras só puderam recomeçar em fevereiro de 2000.
    “Apenas em fevereiro de 2000 é que as obras puderam ser reiniciadas”
  40. T2 secundária
    Em Sorocaba, a Justiça Federal tirou dois prédios da lista de bens penhorados e os entregou aos 138 compradores, para que terminassem as obras.
    “A Justiça Federal retirou dois edifícios da Encol da relação de bens penhorados, que integrariam a massa falida da empresa, e entregou-os aos 138 mutuários de Sorocaba”
  41. T2 secundária
    O custo para terminar seria dividido entre os compradores.
    “O valor será rateado entre os mutuários, proporcionalmente ao que ainda teriam de pagar pelos apartamentos”
  42. T2 secundária
    Em Salvador, em 2010, só 52% dos empreendimentos inacabados da Encol tinham sido concluídos.
    “apenas 52% dos empreendimentos inacabados da construtora em Salvador foram concluídos”
  43. T2 secundária
    Em Salvador eram 17 empreendimentos e 2.133 famílias, 40% delas com o imóvel já quitado.
    “Ao todo, 17 imóveis foram abandonados na capital baiana, deixando no prejuízo um total de 2.133 famílias que adquiriram imóveis da construtora – 40% delas com o valor já quitado”
  44. T2 secundária
    Quem não entrava na nova obra podia pedir o dinheiro à massa falida, mas perdia o direito ao imóvel.
    “eles podem solicitar que os seus investimentos sejam pagos pela massa falida, mas perdem qualquer direito referente à nova obra”
  45. T2 secundária
    A advogada Viviane Amaral, que defendeu compradores em Salvador, disse que não havia caminho jurídico pronto e que foi preciso convencer a Justiça.
    “A advogada Viviane Amaral explica que o processo de recuperação dos imóveis foi cercado de dificuldades. “Foi complicado porque não existia um caminho jurídico já traçado. Tivemos que sensibilizar a Justiça para a causa dos adquirintes”
  46. T2 secundária
    Em Belo Horizonte, terminar um prédio custou cerca de R$ 3,6 milhões: R$ 1,1 milhão pago em 11 apartamentos à nova construtora e o resto dividido entre os outros donos.
    “O término do prédio foi estimado em aproximadamente R$ 3,6 milhões. Desse total, R$ 1,1 milhão vieram em forma dos 11 apartamentos e o restante foi rateado com as outras 27 partes”
  47. T2 secundária
    Os donos desse prédio entregaram 11 apartamentos à nova construtora como parte do pagamento.
    “Eles transferiram 11 unidades vagas para a MG Empreendimentos como parte do pagamento da conclusão das obras”
  48. T2 secundária
    Em Manaus, o Wille Dijon tinha só 13% da obra feita quando foi transferido, em 2003, e continuava inacabado mais de dez anos depois.
    “No caso do Wille Dijon, o empreendimento só tinha 13% da obra executada quando foi transferido, em 2003. Mais de dez anos depois, o edifício permanecia inacabado”
  49. T2 secundária
    O Wille Dijon tem duas torres e 88 apartamentos e nunca foi concluído.
    “Em Manaus, jaz a carcaça do Wille Dijon, um empreendimento de duas torres e 88 apartamentos que jamais foi concluído”
  50. T2 secundária
    Antes da falência, a Encol hipotecou empreendimentos em troca de empréstimos de bancos.
    “quando a Encol hipotecou os empreendimentos em troca de empréstimos junto às instituições financeiras”
  51. T1 primária sustenta a tese
    O STJ fixou em súmula, em 2005, que a hipoteca entre a construtora e o banco não vale contra quem comprou o imóvel.
    “A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou posterior à celebração da promessa de compra e venda, não tem eficácia perante os adquirentes do imóvel.”
  52. T1 primária
    Vários dos julgamentos que serviram de base à súmula vieram de Goiás, sede da Encol (o dossiê do STJ não diz quais envolviam a Encol).
    “Precedentes REsp 557369 GO EREsp 187940 SP AgRg no Ag 522731 GO REsp 651125 RJ AgRg no REsp 505407 GO EREsp 415667 SP REsp 418040 SC AgRg no REsp 561807 GO REsp 498862 GO REsp 514993 GO”
  53. T1 primária
    A súmula foi publicada no Diário da Justiça de 25/04/2005.
    “Fonte DJ 25/04/2005 p. 384 RSSTJ vol. 24 p. 311 RSTJ vol. 190 p. 645”
  54. T2 secundária
    Segundo a coluna da Migalhas, o relator de um julgamento recente do STJ lembrou que a súmula nasceu dos compradores da Encol que tinham comprado unidades hipotecadas a bancos e não as receberam.
    “O excelso relator recuperou as razões pelas quais foi editada a referida súmula em comento, destacando a sua origem nos argumentos dos compradores prejudicados pela falência da empresa construtora Encol S.A. Engenharia que adquiriram unidades que haviam sido hipotecadas a agentes financeiros, mas que não as receberam”
  55. T2 secundária
    Segundo a mesma coluna, quase todos os casos que deram origem à súmula eram de financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação.
    “quase todos os julgados que confluíram para a elaboração da Súmula citaram como fato relevante ser a relação negocial oriunda do Sistema Financeiro de Habitação – SFH”
  56. T2 secundária
    No REsp 2.130.141, o STJ reconheceu que a súmula não se aplica aos contratos de alienação fiduciária.
    “Análise do REsp 2.130.141, que reconheceu a inaplicabilidade da súmula 308/STJ aos contratos de alienação fiduciária”
  57. T2 secundária
    Na alienação fiduciária, segundo o STJ citado pela coluna, quem deve tem só a posse do imóvel e o dono é o credor; por isso a venda feita a um terceiro, mesmo de boa-fé, não vale contra o credor.
    “o devedor fiduciante possui apenas a posse direta do imóvel, sendo, portanto, o negócio jurídico celebrado com terceiro de boa-fé ineficaz em face do proprietário do bem, o credor fiduciário”
  58. T2 secundária
    Para o colunista, a súmula não deve ser usada nos casos de alienação fiduciária.
    “a Súmula n. 308 do STJ não deve ser empregada nas hipóteses de alienação fiduciária”
  59. T1 primária
    A medida provisória do patrimônio de afetação foi revogada e substituída pela Lei 10.931, de 02/08/2004.
    “Revogada pela Lei nº 10.931, de 02.08.2004, DOU 03.08.2004”
  60. T2 secundária
    O patrimônio de afetação entrou no direito brasileiro pela MP 2.221, de 04/09/2001.
    “O regime da afetação patrimonial na incorporação imobiliária foi introduzido no Direito positivo brasileiro pela Medida Provisória nº 2.221 , de 04 de setembro de 2001”
  61. T2 secundária
    Para o autor do IRIB, a medida veio para recuperar a confiança no mercado imobiliário, abalada pela falência da Encol.
    “resgatar a confiança dos consumidores no mercado imobiliário, abalado por grave crise desencadeada pela decretação da falência da Encol”
  62. T1 primária sustenta a tese
    A medida provisória do patrimônio de afetação deixou a regra opcional: a critério da construtora (o incorporador), a obra podia ou não ser colocada nesse regime.
    “A critério do incorporador, a incorporação poderá ser submetida ao regime da afetação”
  63. T1 primária
    Pela regra de 2001, o terreno, a obra e o dinheiro de um empreendimento afetado ficavam separados do resto da construtora e serviam só para entregar aquele prédio.
    “manter-se-ão apartados do patrimônio do incorporador e constituirão patrimônio de afetação, destinado à consecução da incorporação correspondente e à entrega das unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes”
  64. T1 primária
    Pela regra de 2001, se a construtora quebrasse, a obra afetada não entrava na massa falida.
    “A insolvência do incorporador não atingirá os patrimônios de afetação constituídos, não integrando a massa concursal o terreno, as acessões e demais bens, direitos creditórios, obrigações e encargos objeto da incorporação”
  65. T1 primária
    Nesse caso, os compradores decidiam em assembleia se continuavam a obra ou liquidavam o que existia; para continuar, precisavam de dois terços dos votos.
    “realizará assembléia geral na qual, por maioria simples, ratificará o mandato da Comissão de Representantes ou elegerá novos membros, e, por dois terços dos votos dos adquirentes, instituirá o condomínio da construção, por instrumento público ou particular, e deliberará sobre os termos da continuação da obra ou da liquidação do patrimônio de afetação”
  66. T2 secundária
    Um estudo acadêmico apresenta a Lei 10.931/2004, que substituiu a medida provisória, como resposta ao chamado "efeito Encol".
    “Em resposta ao denominado “efeito ENCOL”, o Governo Federal, através da Lei nº 10.931/2004, criou o Patrimônio de Afetação”
  67. T2 secundária
    Na lei de 2004, a afetação continua sendo uma opção da construtora.
    “A afetação patrimonial, na forma de opção pelo incorporador”
  68. T2 secundária
    O patrimônio de afetação só existe quando é averbado (anotado) no Registro de Imóveis, em termo assinado pela construtora.
    “Considera-se constituído o patrimônio de afetação mediante averbação, a qualquer tempo, no Registro de Imóveis, de termo firmado pelo incorporador”
  69. T2 secundária
    Para o autor do IRIB, a lei de 2004 tirou o caráter obrigatório da proteção já no primeiro artigo.
    “ao retirar o caráter compulsório do instituto, já no artigo inaugural da matéria”
  70. T2 secundária
    Por ser opcional, ele critica, o patrimônio de afetação virou "mero instrumento de marketing comercial".
    “ao patrimônio de afetação em mero instrumento de marketing comercial”
  71. T2 secundária
    A Exame registra que a Lei 10.931, de 2004, instituiu o patrimônio de afetação.
    “Foi sancionada, em 2004, a Lei 10.931, que instituiu o patrimônio de afetação”
  72. T2 secundária
    A reportagem da AutImob afirma que hoje 99,9% das incorporadoras usam o patrimônio de afetação, sem citar fonte de dados.
    “Em 2004 surge a Lei do Patrimônio de Afetação, que hoje é utilizada por 99,9% das empresas que incorporam no país”
  73. T2 secundária
    O advogado Diego Amaral, ouvido pela reportagem, diz que os bancos só financiam obra que tem patrimônio de afetação.
    “Os bancos só financiam obras hoje se a empresa tiver patrimônio de afetação”
  74. T2 secundária
    Com o patrimônio de afetação, segundo ele, a empresa pode falir, mas aquela obra não.
    “A empresa pode até falir, mas aquela obra específica dela não fale mais”
  75. T2 secundária
    O síndico Miguel Ângelo Cançado assumiu a massa falida em outubro de 2018 e, desde então, pagou mais de 6,8 mil trabalhadores, R$ 225 milhões em verbas trabalhistas.
    “Cançado assumiu a gestão à frente da massa falida da Encol em outubro de 2018 e, desde então, já pagou mais de 6,8 mil trabalhadores, totalizando R$ 225 milhões de reais em verbas trabalhistas”
  76. T2 secundária
    Em janeiro de 2023 a massa falida tinha pouco mais de R$ 200 milhões em caixa.
    “Hoje, a Massa Falida da Encol tem pouco mais de R$ 200 milhões em caixa”
  77. T2 secundária
    Desde a falência, mais de R$ 200 milhões foram pagos a trabalhadores.
    “Desde o início da falência, decretada em 16 de março de 1999, já foram pagos mais de R$ 200 milhões de créditos trabalhistas”
  78. T2 secundária
    A falência é considerada uma das mais complexas da América Latina, segundo o síndico ouvido pela Rota Jurídica.
    “Segundo ele, “a quitação destes valores é prioridade para nós, que atuamos nesta Falência, considerada uma das mais complexas da América Latina”
  79. T2 secundária
    Segundo o advogado Diego Amaral, o dinheiro que restou na massa falida vem de terrenos da empresa.
    “De acordo com Diego Amaral, os valores restantes da massa falida da Encol são provenientes de terrenos de posse da empresa”
  80. T2 secundária
    Segundo ele, esses terrenos valorizaram muito.
    “terrenos da Encol - inclusive um terreno perto do Oscar Niemeyer, que depois foi vendido - enfim, valorizaram muito”
  81. T2 secundária
    A Associação Brasileira dos Credores Trabalhistas da Encol disse, em nota, que o pagamento chegou com ao menos 7 anos de atraso.
    “Por meio de nota, a Associação Brasileira dos Credores Trabalhistas da Encol (ABCTE) informou que apesar do pagamento ser “louvável”, ele chega com, ao menos, 7 anos de atraso”
  82. T2 secundária
    O processo contra o fundador era por declaração falsa à Caixa para conseguir financiamento de 137 apartamentos.
    “Por prestar declaração falsa à Caixa Econômica Federal para conseguir financiamento de 137 apartamentos”
  83. T2 secundária
    A sentença de primeira instância foi dada em 2000 pela 5ª Vara Federal de Goiânia.
    “A sentença condenatória foi proferida em 2000 pela 5ª Vara da Justiça Federal da capital”
  84. T2 secundária
    Em abril de 2010, a ConJur noticiou, com informações do MPF, que a decisão tinha transitado em julgado em 9 de março de 2010.
    “A decisão transitou em julgado no dia 9 de março. O fundador da Encol, construtora que faliu em 1999, terá de cumprir quatro anos de prisão”
  85. T2 secundária
    Em abril de 2010 o fundador foi preso depois de o TRF1 confirmar a condenação por crime contra o sistema financeiro nacional.
    “foi preso no último sábado depois de o TRF da 1ª região confirmar sua condenação por crime contra o sistema financeiro nacional”
  86. T2 secundária
    O mesmo tribunal concedeu habeas corpus, e ele ficou menos de 24 horas preso.
    “Porém, o mesmo tribunal concedeu HC e mandou soltar Souza, que ficou na prisão, em Goiânia, por menos de 24 horas”
  87. T2 secundária
    O Correio Braziliense também registra que ele ficou preso menos de 24 horas.
    “o empresário, que protagonizou um dos maiores escândalos corporativos do país, ficou encarcerado por menos de 24 horas”
  88. T2 secundária
    Segundo o MPF-GO, citado pelo Metrópoles em 2023, ele foi condenado em 2000 a quatro anos e dois meses em regime semiaberto, mas o processo só terminou em 2010, quando já tinha prescrito.
    “Segundo o Ministério Público Federal em Goiás, ele foi condenado, ainda em 2000, logo após a falência da empresa, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto e a 266 dias de multa. O processo, no entanto, só foi concluído em 2010, quando já tinha prescrito”
  89. T2 secundária
    Na versão do fundador, contada à IstoÉ Dinheiro em 2010, a falência foi obra de uma trama de diretores do Banco do Brasil.
    “No livro Encol – O sequestro: tudo o que você não sabia (Bremen, 351 páginas), o empresário reescreve os capítulos finais da companhia e atribui sua falência a uma intrincada trama urdida por diretores do Banco do Brasil”
  90. T2 secundária
    Disse que a diretoria do banco queria ficar com a empresa.
    “com a justificativa de resolver o problema. A diretoria do banco queria ficar com a Encol”
  91. T2 secundária
    Disse que, se tivesse procurado um banco privado, a Encol não teria falido.
    “Poderia, mas só depois da falência é que eu soube o que tinha acontecido. Se tivesse procurado um banco privado, a Encol não teria falido”
  92. T2 secundária
    Os ex-executivos do Banco do Brasil ouvidos pela revista contestaram a versão.
    “Ouvidos pela DINHEIRO, os ex-executivos do BB contestam a versão do sequestro da Encol”
  93. T2 secundária
    Um ex-executivo do banco ouvido pela revista respondeu que a Encol não caiu por plano nenhum, e sim por não conseguir sobreviver numa economia estabilizada.
    “A Encol não submergiu em função de nenhum plano maquiavélico. Ela sofreu da incapacidade de sobreviver em uma economia estabilizada”
  94. T2 secundária
    No pedido de habeas corpus, a defesa disse que a decisão final saiu publicada só com o nome de um advogado que já tinha morrido.
    “intimação oficial em que constou unicamente o nome do saudoso advogado Wanderley de Medeiros como advogado do paciente (DOC. anexo), repita-se, falecido desde 2006”
  95. T2 secundária
    Para a defesa, por isso a certidão de trânsito em julgado estava errada.
    “ensejando incorreta certidão de trânsito em julgado”
  96. T1 primária
    Corrigida pelo IPCA de abril de 1999 a setembro de 2026 (fator 5,1301), a dívida estimada de R$ 2,5 bilhões em março de 1999 equivale a cerca de R$ 12,8 bilhões.

As imagens deste vídeo

Toda fotografia e todo documento que aparece no vídeo está listado aqui, com autor, licença e o endereço de onde saiu.
  1. Logotipo da Encol
    Encol S.A. (reprodução) · uso informativo: identifica a empresa de que se fala
  2. Pedro Paulo de Souza, fundador da Encol
    O Popular (sem crédito de fotógrafo na página) · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III): retrato da pessoa de quem se fala, com veículo, data e link
  3. Prédios no Setor Bueno, Goiânia
    Gabriel Alves · CC BY 2.0
  4. Edifício em construção
    Gaf.arq · CC BY-SA 3.0
  5. Cédula de 1 real, 1994
    Banco Central do Brasil · domínio público
  6. Logotipo do Banco do Brasil
    Banco do Brasil (Wikimedia Commons) · domínio público
  7. Edifício sede do Banco do Brasil, Brasília
    Agência Senado · CC BY 2.0
  8. Logotipo da Caixa Econômica Federal (1997)
    Caixa Econômica Federal (Wikimedia Commons) · domínio público
  9. Matriz da Caixa, Brasília
    Rubens Bonfim · CC BY-SA 2.5
  10. Palácio do Congresso Nacional, Brasília
    Agência Senado · CC BY 2.0
  11. Massa falida da Encol vai pagar 6 mil ex-trabalhadores
    Rota Jurídica · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link
  12. Implosão de um prédio inacabado em Brasília
    Marcello Casal Jr./Agência Brasil · CC BY 3.0 BR
  13. Mutuários obtêm na Justiça prédios da Encol em Sorocaba
    Folha de Londrina (Agência Estado) · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link
  14. Encol: a incorporadora que deixou 40 mil famílias sem casa nos anos 90 (Wille Dijon)
    Exame · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link
  15. Wille Dijon, Manaus: as duas torres inacabadas
    Domingos Petroceli / Manaus Abandonada · todos os direitos reservados ao autor; uso com crédito, a mesma foto que a Exame publicou em 24/11/2025
  16. Edifício sede do STJ, Brasília
    Superior Tribunal de Justiça · CC BY 2.0
  17. Caso Encol: massa falida anuncia pagamento de 6 mil ex-funcionários
    Metrópoles · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link
  18. Vítimas da Encol concluem obra
    Gazeta do Povo · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link
  19. Lei 4.591/1964, art. 31-A (incluído pela Lei 10.931/2004)
    Presidência da República (Planalto) · Documento público (texto de lei, Lei 9.610/98, art. 8º, IV)
38 diagramas animados, feitos para este vídeo. Todo número desenhado neles tem fonte na apuração acima.

A música deste vídeo

Faixas da Biblioteca de áudio do YouTube, de uso livre em vídeos do YouTube e sem exigência de atribuição. Creditamos assim mesmo, com o autor de cada uma.
  1. Shattered Paths — Aakash Gandhi
    Aakash Gandhi · Biblioteca de áudio do YouTube (uso livre em vídeos do YouTube, sem atribuição)
  2. I'll Remember You — Jeremy Blake
    Jeremy Blake · Biblioteca de áudio do YouTube (uso livre em vídeos do YouTube, sem atribuição)
  3. Windswept — ann annie
    ann annie · Biblioteca de áudio do YouTube (uso livre em vídeos do YouTube, sem atribuição)

Como esta apuração foi feita

O roteiro deste vídeo foi escrito a partir desta ficha e somente dela. Nada que não esteja aqui é dito no vídeo — nem uma data, nem um nome. Antes de virar roteiro, a ficha passa por três conferências automáticas: se cada citação existe mesmo no material recolhido, se cada data é confirmada na precisão em que é afirmada, e se a afirmação que sustenta o vídeo vem de fonte primária ou de imprensa e estudos identificados — não de enciclopédia.

T1 primária registro primário: lei, decisão judicial, documento oficial, dado oficial. T2 secundária secundária: reportagem de veículo identificado, estudo acadêmico ou página de entidade (quando a entidade é parte interessada, a ficha diz). T3 terciária enciclopédia — citada pela revisão exata consultada, porque a página muda e a revisão não.

Achou um erro? Aponte nos comentários do vídeo, com a afirmação e a fonte. Correção pública vale mais para este canal do que acerto silencioso — e o vídeo, uma vez publicado, não pode ser editado. Esta ficha pode: quando algo muda, ela é atualizada e a data abaixo muda junto.

Ficha 0004-encol · apurada em 2026-10-23 · publicada em 2026-10-30 · aprovado