Avestruz Master
a apuração por trás do vídeo

Avestruz Master: a pirâmide que foi condenada com outro nome

Avestruz Master Agro Comercial Importação e Exportação Ltda. (grupo com o Abatedouro Struthio Gold) · 1998-2006
O Banco Central avisou em 2004. Depois do aviso, a captação foi de R$ 12 milhões para R$ 86 milhões.
O que era
Uma empresa de Goiânia que vendia avestruzes ao público com a promessa de recomprá-las depois, com rendimento mensal. A CVM concluiu que aquilo era um contrato de investimento coletivo — um investimento oferecido ao público, que precisa de registro — e não uma simples venda de animal.
O caso mostra que o aviso não bastou: o Banco Central e a CVM agiram em 2004, a empresa mudou o formato do papel a cada fiscalização, e a captação continuou subindo até o colapso de 2005.

Situação na Justiça

Pessoa sem condenação definitiva não é tratada como autora de crime neste vídeo nem nesta página: o verbo é o do documento.
processo extinto por morteJerson Maciel da Silva fundador, sócio de 80% das cotas e diretor administrativo
multado pela CVM em R$ 43 milhões em 2006; morreu em 2008 respondendo à ação penal por crimes falimentares, que seria arquivada em relação a ele
condenação ainda recorrívelJerson Maciel da Silva Júnior ex-diretor comercial
foi condenado, com a condenação mantida pelo TRF1, por oferta pública de valores mobiliários sem autorização da CVM e por manutenção de investidores em erro (Lei 7.492/86, arts. 6º e 7º, II); foi preso em 2019 para cumprir a pena a pedido do MPF, que sustentou que a execução não dependia do trânsito em julgado
condenação ainda recorrívelPatrícia Áurea Maciel da Silva ex-diretora financeira
foi condenada, com a condenação mantida pelo TRF1, pelos mesmos crimes contra o sistema financeiro nacional; presa em 2019 para cumprir a pena antes do trânsito em julgado
condenação ainda recorrívelEmerson Ramos Correia ex-diretor, genro do fundador
foi condenado, com a condenação mantida pelo TRF1, pelos mesmos crimes contra o sistema financeiro nacional; preso em 2019 para cumprir a pena antes do trânsito em julgado

Como o dinheiro andou

2004-07investidores → Avestruz Master: contratos de compra de avestruz com recompra, a 7% a 9,14% ao mês · cerca de R$ 12 milhões (fev. a jul. de 2004) T1 primária
2004-07investidores → Avestruz Master: Cédulas de Produto Rural (CPR), depois do aviso da CVM · R$ 12,3 milhões acumulados T1 primária
2004-11investidores → Avestruz Master: CPR · R$ 46,7 milhões acumulados T1 primária
2005-03investidores → Avestruz Master: CPR · R$ 86 milhões acumulados T1 primária
Avestruz Master → investidor (promessa): recompra do animal no fim do contrato · R$ 19.710 para cada R$ 12.100 aplicados T1 primária
Abatedouro Struthio Gold (do próprio grupo) → investidores: recompra garantida das aves vendidas por CPR, depois da proibição da CVM · ? T1 primária
2004Avestruz Master → publicidade: anúncios · mais de R$ 4 milhões em 2004 T2 revisada
2004Avestruz Master → ração das aves: alimentação · R$ 100 mil em 2004 T2 revisada
2004-12Avestruz Master → sócios: retirada de lucro que a perícia chamou de fictício · R$ 6,9 milhões só em dezembro de 2004 T2 revisada
Avestruz Master → criatório Pé Forte: compra de 3.070 aves para cumprir vendas · cerca de 1/4 do preço de venda T1 primária
massa falida → credores: leilão dos bens e valores liberados · R$ 18 milhões, menos de 2% de uma dívida de R$ 1 bilhão T2 revisada

O outro lado

Avestruz Master e Jerson Maciel da Silva, na defesa conjunta à CVM
A empresa não negociava valor mobiliário e por isso não estava sujeita à CVM; cada cliente comprava isoladamente as suas aves, o que seria investimento individual, não coletivo.
T1 primária CVM, PAS 23/04, relatório §44 (defesa) · T1 primária CVM, PAS 23/04, relatório §44 (defesa)
Avestruz Master, em notificação e carta à CVM em 2004
Declarou em setembro de 2004 que a captação pelos contratos tinha sido encerrada e, em novembro, que não havia promessa de rendimento, juros nem recompra.
T1 primária CVM, PAS 23/04, relatório §8 · T1 primária CVM, PAS 23/04, relatório §16
Abatedouro Struthio Gold
Os preços de recompra anunciados em jornal seguiam um cálculo de negócio: preço de compra das aves, custo de cria, reserva para perdas, despesas e lucro por animal.
T1 primária CVM, PAS 23/04, relatório §28
Trocar o nome do papel não muda o que ele é: quem vende um bem com recompra e rendimento garantidos está vendendo investimento, e investimento oferecido ao público precisa de registro na CVM.

Em que este vídeo se apoia

O vídeo inteiro depende destas 4 afirmações. Se alguma delas cair, o vídeo cai junto. Os links vão direto para a fonte.
T1 primária O Banco Central comunicou à CVM que a Avestruz Master fazia operações que só instituições financeiras podem fazer.
T1 primária Depois da proibição, a empresa seguiu vendendo aves por CPR e garantindo a recompra por meio do abatedouro do próprio grupo, o Struthio Gold.
T1 primária O dinheiro captado por CPR subiu de R$ 12,3 milhões em julho de 2004 para R$ 46,7 milhões em novembro e R$ 86 milhões em março de 2005.
T1 primária Para a CVM, as estruturas de contrato da empresa mudaram ao longo do tempo sempre em reação à fiscalização.

Cronologia

1998A Avestruz Master é fundada em Goiânia (confiança media) T3 terciária
2003O Procon de Goiás começa a receber denúncias sobre a empresa e conta menos aves do que ela declarava T2 revisada
2004-02-27O Banco Central comunica à CVM que a Avestruz Master fazia operações que só instituições financeiras podem fazer T1 primária
2004-07A captação por Cédula de Produto Rural soma R$ 12,3 milhões T1 primária
2004-09-21A empresa notifica a CVM de que a captação pelos contratos foi encerrada T1 primária
2004-11A captação por CPR chega a R$ 46,7 milhões T1 primária
2004-12-01A CVM publica deliberação que proíbe a empresa de oferecer CPR ao público, sob multa T1 primária
2005-03A captação por CPR chega a R$ 86 milhões T1 primária
2005-11-04Colapso: cheques de investidores voltam sem fundos T2 revisada
2005-11-10O fundador se entrega à polícia T2 revisada
2006-07Falência do grupo decretada pela 11ª Vara Cível de Goiânia (confiança media) T2 revisada
2006-09-28A CVM multa o fundador em R$ 43 milhões e absolve a empresa para não prejudicar os credores T1 primária
2007-12O juiz da falência determina a liquidação dos bens arrecadados T2 revisada
2008-02Morre o fundador, ainda respondendo aos processos T2 revisada
2013O TRF1 mantém a condenação de três ex-diretores e retira a obrigação de ressarcimento T2 revisada
2019-09Os três ex-diretores são presos para cumprir a pena, antes do trânsito em julgado T2 revisada
2022-04O TJ-GO extingue por prescrição o processo criminal contra 18 acusados de fraude na gestão da massa falida T2 revisada

O que se diz × o que os documentos mostram

A versão que circula
Ninguém viu nada até a empresa quebrar: os órgãos só agiram depois do colapso.
O que a apuração encontrou
O Procon recebeu denúncias no fim de 2003. Em fevereiro de 2004 o Banco Central avisou a CVM; a CVM inspecionou a sede, alertou o dono e, em dezembro de 2004, proibiu a oferta sob multa. Depois do aviso, a captação foi de R$ 12,3 milhões para R$ 86 milhões, porque a empresa trocou o contrato por CPR e passou a recompra para o abatedouro do grupo.
A versão que circula
Não existia avestruz nenhum: o investimento era só papel.
O que a apuração encontrou
As aves existiam. A CVM registra 18.396 aves em estoque e o MPF fala em 38 mil aves e 17 mil ovos. O problema era a conta: mais de 600 mil aves vendidas, sem mercado interno nem exportação para dar saída a elas.
A versão que circula
Os diretores foram condenados a doze ou treze anos e obrigados a devolver R$ 100 milhões aos investidores.
O que a apuração encontrou
Essa foi a sentença de 2010. Em 2013 o TRF1 manteve a condenação, mas reduziu as penas para o regime semiaberto e afastou o ressarcimento. A falência recuperou R$ 18 milhões, menos de 2% da dívida.

Desfecho

Falência decretada em 2006; a massa falida recuperou R$ 18 milhões de uma dívida de R$ 1 bilhão. A CVM multou o fundador em R$ 43 milhões e absolveu a empresa para não tirar ainda mais dos credores. O fundador morreu em 2008. O TRF1 manteve em 2013 a condenação de três ex-diretores por crimes contra o sistema financeiro nacional, e eles foram presos em 2019 antes do trânsito em julgado. Em 2022, o processo estadual contra 18 acusados de fraude na gestão da massa falida prescreveu.

Ressalvas

• O TRÂNSITO EM JULGADO da condenação federal não está confirmado: a prisão de 2019 foi pedida justamente sem ele (ref-47). Sem o acórdão e a certidão, os três ex-diretores ficam como condenacao_recorrivel e nenhum verbo de culpa vai ao lado deles.
• PENAS: as fontes divergem e a ficha não as afirma. Rota Jurídica (2013): Emerson e Patrícia 6 anos, Júnior 5. Gazeta (sentença de 2010): Júnior 6, Patrícia e Emerson 5. Rádio Sempre (2019): Júnior e Patrícia 6, Emerson 5. Wikipédia: 12 a 13 anos (a pena de 1ª instância, segundo outra cobertura). Resolver com o acórdão do TRF1.
• R$ 86 MILHÕES: o relatório da CVM (§29) data o valor em março de 2005; o voto do relator (§29) diz novembro de 2005. Usar 'março de 2005' só com a ressalva, ou dizer 'até 2005'.
• DATA DA FALÊNCIA: o Conjur de 27/07/2006 diz 'nesta quinta-feira (27/7)'; o Conjur de 22/12/2007 diz '27 de junho do ano passado'. A ficha usa julho de 2006 com confiança média.
• NÚMERO DE INVESTIDORES: 45,1 mil (CPRs, denúncia do MPF via Gazeta), cerca de 40 mil (Gazeta), cerca de 50 mil (MPF em 2019), cerca de 3 mil (Conjur 2008). A ficha só afirma o número das CPRs.
• DÍVIDA: R$ 1 bilhão (Gazeta, MPF) e R$ 600 milhões (Conjur 2008). A dívida fiscal sozinha passava de R$ 450 milhões em 2007 (ref-52).
• OUTRO LADO dos três ex-diretores na ação penal federal: não está no material. A defesa que temos é a da empresa e do fundador na CVM. O vídeo deve dizer que procurou e não encontrou a defesa nos autos do TRF1.
• A Gazeta afirma que parte da família partiu 'em comboio rumo ao Paraguai' no colapso, e a Wikipédia diz que 'um de seus sócios fugiu para o Paraguai'. Envolve pessoas vivas e não tem documento no material: fica de fora da ficha.
• DÍVIDA CORRIGIDA: o vídeo usa R$ 1,7 bilhão (dívida com os investidores em títulos a vencer, dados da PF em 2005, via Valor e FIPECAFI 2007) porque é o único valor com data; corrigido pelo IPCA (BCB SGS 433) de dez/2005 a set/2026, fator 3,0463, dá R$ 5,18 bilhões. É o que a empresa PROMETIA pagar, não o que os investidores puseram. O 'R$ 1 bilhão' que circula na imprensa não tem data-base e não deve ser corrigido.
• PIRÂMIDE: o MECANISMO é descrito como pirâmide pelo MPF (ref-57), por parecer do Senado (ref-58) e, segundo um consultor do Senado, pela CVM (ref-59). A CONDENAÇÃO federal não usou esse nome: foi por crimes contra o sistema financeiro (Lei 7.492/86), porque a CVM classificou os contratos como valores mobiliários. O vídeo diz as duas coisas; nunca 'não foi pirâmide'. Pessoa viva nunca ao lado de 'pirâmide'.
• A data 1998 tem confiança media: A Avestruz Master é fundada em Goiânia
• A data 2006-07 tem confiança media: Falência do grupo decretada pela 11ª Vara Cível de Goiânia

Fontes

  1. T1 primária sustenta a tese
    O Banco Central comunicou à CVM que a Avestruz Master fazia operações que só instituições financeiras podem fazer.
    “Em 27.02.04, foi recebida pela CVM o Ofício DESUP/GTBSB/COSUP-01-2004/43 (fls. 26-27), expedido pelo Banco Central do Brasil, comunicando a realização de operações pela Avestruz Master Agro Comercial Importação e Exportação Ltda. (Avestruz Master) que somente poderiam ser praticadas por instituições financeiras”
  2. T1 primária
    Entre fevereiro e julho de 2004 a empresa captou cerca de R$ 12 milhões, com retorno implícito de 7% a 9,14% ao mês.
    “a indigitada empresa teria captado, entre fevereiro e julho de 2004, um montante de aproximadamente R$ 12 milhões (fl. 16), com taxas de retorno, prometidas implicitamente no contrato, que oscilavam entre 7% e 9,14% ao mês”
  3. T1 primária
    Na inspeção da sede, os inspetores da CVM alertaram pessoalmente o fundador, sócio de 80% das cotas.
    “Durante a inspeção, os inspetores alertaram a Avestruz Master, nas pessoas de seu Diretor Administrativo e sócio detentor de 80% de suas cotas, Sr. Jerson Maciel da Silva”
  4. T1 primária
    Diante da CVM, a empresa declarou a intenção de transformar seus contratos em Cédulas de Produto Rural.
    “a Avestruz Master apresentou aos inspetores desta Autarquia uma declaração de intenções, visando transformar seus contratos de parceria em Cédulas de Produto Rural”
  5. T1 primária
    A CVM informou à empresa que ela continuava irregular na captação.
    “do entendimento da CVM de que a empresa continuava a incorrer em irregularidade na captação de recursos”
  6. T1 primária
    Mesmo depois de ter dito à CVM que tinha parado, a empresa continuava a garantir a recompra das aves.
    “foi constatado pela área técnica que a Avestruz Master continuava a garantir a recompra das aves, mesmo após ter ela própria emitido a Notificação Extrajudicial, de 21.09.04”
  7. T1 primária
    A CVM determinou que a empresa deixasse de oferecer ao público CPRs de venda futura de aves, sob pena de multa.
    “impondo à Avestruz Master a abstenção de efetuar oferta pública de CPRs representativas de vendas para entrega futura de aves, com outras medidas a serem adotadas por aquela empresa, sob pena de multa cominatória”
  8. T1 primária sustenta a tese
    Depois da proibição, a empresa seguiu vendendo aves por CPR e garantindo a recompra por meio do abatedouro do próprio grupo, o Struthio Gold.
    “Master teria continuado a realizar operações de venda de avestruzes aos seus clientes, através de CPRs, e, concomitantemente, garantindo a recompra das aves através do Abatedouro Struthio Gold”
  9. T1 primária sustenta a tese
    O dinheiro captado por CPR subiu de R$ 12,3 milhões em julho de 2004 para R$ 46,7 milhões em novembro e R$ 86 milhões em março de 2005.
    “os recursos captados pela Avestruz Master, via emissão da CPR, elevaram-se de R$ 12,3 milhões, em julho de 2004, para R$ 46,7 milhões em novembro do mesmo ano, e R$ 86 milhões em março de 2005”
  10. T1 primária
    A empresa tinha 18.396 aves em estoque e projetava 43.460 filhotes para cumprir as entregas.
    “produção própria, a partir das 18.396 aves em estoque, projetando uma geração de 43.460 filhotes, entre março e outubro de 2005”
  11. T1 primária
    A empresa planejava cumprir as entregas das CPRs com base em três fontes, uma delas o próprio caixa.
    “a Avestruz Master planejaria cumprir suas obrigações de entrega de animais provenientes das CPRs (fls. 2089-2094) com base em três fontes”
  12. T1 primária
    A empresa comprou 3.070 aves do criatório Pé Forte por cerca de um quarto do preço pelo qual vendia.
    “um total de 3.070 aves da Pé Forte, com três e seis meses, por valores em torno de 1/4 dos preços de venda”
  13. T1 primária
    No modelo de contrato, uma aplicação de R$ 12.100 tinha garantida a remuneração de R$ 19.710 no fim, com a recompra do animal.
    “para uma aplicação inicial de R$ 12.100,00, ao investidor era garantida a remuneração de R$ 19.710,00, ao final, com a recompra do animal”
  14. T1 primária
    O voto do relator registra a captação de R$ 86 milhões com data de novembro de 2005, diferente da data do relatório.
    “milhões de reais, em novembro de 2005 (item 15 do Relatório da Comissão de Inquérito)”
  15. T1 primária sustenta a tese
    Para a CVM, as estruturas de contrato da empresa mudaram ao longo do tempo sempre em reação à fiscalização.
    “Note-se que as estruturas contratuais e de negócio criadas pelos indiciados para exercer suas atividades foram se alterando ao longo do tempo, mas sempre de forma reativa à fiscalização da CVM”
  16. T1 primária
    Para a CVM, as mudanças não foram tentativas de regularizar a atividade, mas de colocá-la à margem do Estado.
    “Ou seja, não foram esforços de regularização de uma atividade ilícita, mas sim tentativas de colocá-la à margem da atuação estatal, por meio de diversos expedientes”
  17. T1 primária
    A CVM multou o fundador em R$ 43 milhões, metade do valor distribuído irregularmente.
    “aplicar ao acusado Jerson Maciel da Silva a pena de multa pecuniária no valor de R$ 43.000.000,00 (quarenta e três milhões de reais), correspondente a 50% do valor da distribuição irregular”
  18. T1 primária
    A CVM absolveu a empresa por entender que uma multa prejudicaria os credores na falência.
    “absolver a acusada Avestruz Master Agro Comercial Importação e Exportação Ltda. das mesmas imputações, por entender que uma eventual multa prejudicaria sobremaneira os seus credores perante o Juízo Falimentar”
  19. T1 primária
    A CVM comunicou o caso à Procuradoria da República por configurar, em tese, crime contra o sistema financeiro nacional.
    “uma vez que os fatos ora apreciados configuram, em tese, infração ao disposto no artigo 7º, II, da Lei nº 7.492/86, que dispõe sobre os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”
  20. T1 primária
    A defesa sustentou que a empresa não negociava valor mobiliário e não estava sujeita à CVM.
    “a Avestruz Master não negocia valor mobiliário e, por isso não está sujeita à fiscalização da CVM”
  21. T1 primária
    A defesa sustentou que cada cliente comprava suas aves isoladamente, o que seria investimento individual.
    “cada um dos clientes adquiriu, isoladamente, uma certa quantidade de avestruzes, para entrega imediata ou futura. E, por isso, configuram-se contratos de investimento individual e não coletivo”
  22. T1 primária
    A empresa notificou a CVM de que a captação pelos contratos tinha sido encerrada.
    “Em 21.09.04, a AVESTRUZ MASTER, representada pelo Sr. Jerson Maciel da Silva, endereçou uma Notificação Extrajudicial à Presidência desta Autarquia, declarando que a captação de recursos através dos mencionados contratos havia sido encerrada”
  23. T1 primária
    Em carta à CVM, a empresa afirmou que não havia promessa de rendimento, juros nem recompra.
    “não há promessa de rendimentos, juros, nem ao menos recompra, conforme comprometido por documentos entregues a esta Autarquia”
  24. T1 primária
    O abatedouro declarou que o preço de recompra seguia custo de compra, cria, perdas, despesas e lucro por animal.
    “os valores de recompra das avestruzes reprodutoras, anunciados em jornal, teriam como base quantitativa os fatores de preço de compra das aves, o custo de cria e recria, a reserva para perdas, as despesas administrativas e de manutenção, além do lucro por animal”
  25. T2 revisada
    No fim de 2003 o Procon de Goiás começou a receber denúncias sobre a empresa.
    “No fim de 2003, o então superintendente do Procon de Goiás, Antônio Carlos de Lima, começou a receber denúncias sobre a empresa que relatavam a possibilidade de um golpe financeiro.”
  26. T2 revisada
    Numa fazenda, o Procon contou 4.371 aves, contra um plantel declarado de 5,8 mil.
    “ele constatou que havia no local 4.371 aves, embora a empresa informasse possuir um plantel de 5,8 mil indivíduos”
  27. T2 revisada
    O MPF firmou um termo de ajustamento de conduta com a empresa, que continuou o negócio.
    “Posteriormente, o MPF realizou um termo de ajustamento de conduta [TAC] com a Avestruz Master, que continuou seu negócio, mesmo diante das irregularidades apontadas”
  28. T2 revisada
    Segundo laudo da PF, em 2004 a empresa gastou mais de R$ 4 milhões em publicidade e R$ 100 mil em ração.
    “Um laudo produzido pela Polícia Federal (PF) mostrou que em 2004 a empresa investiu mais de R$ 4 milhões em publicidade, enquanto os gastos com ração para as aves foram de R$ 100 mil no mesmo ano.”
  29. T2 revisada
    O dinheiro captado era contabilizado como receita da empresa, e não como dívida a devolver.
    “O dinheiro que entrava ali, a partir da captação das pessoas, era tudo contabilizado como se fosse receita da empresa, e não como se fosse uma obrigação, um passivo que a empresa tem que devolver.”
  30. T2 revisada
    Segundo o perito contábil da PF, só em dezembro de 2004 a empresa pagou R$ 6,9 milhões aos sócios em lucro fictício.
    “só em dezembro de 2004 a empresa pagou para os sócios R$ 6,9 milhões, tudo lucro fictício”
  31. T2 revisada
    O colapso ocorreu em 4 de novembro de 2005, com cheques de investidores voltando sem fundos.
    “O colapso ocorreu em 4 de novembro de 2005, quando cheques de investidores começaram a retornar por falta de fundos.”
  32. T2 revisada
    O fundador se entregou à polícia em 10 de novembro de 2005.
    “Maciel acabou retornando para a cidade e se entregou à polícia em 10 de novembro de 2005.”
  33. T2 revisada
    Segundo a denúncia do MPF, não havia mercado interno e nenhuma ave ou derivado foi exportado.
    “não havia mercado interno para a produção e nenhuma ave ou produto derivado chegou a ser exportado pela Avestruz Master, que nem sequer tinha autorização para a venda internacional”
  34. T2 revisada
    O juiz da falência disse que nem em cem anos o Brasil consumiria a carne de avestruz necessária para viabilizar a empresa.
    “Nem nos próximos cem anos o Brasil inteiro iria consumir tanta carne de avestruz como eles precisavam para tornar a empresa viável”
  35. T2 revisada
    Mais de 600 mil aves foram vendidas em 172.298 CPRs para 45,1 mil investidores.
    “Ao todo, mais de 600 mil aves chegaram a ser comercializadas em 172.298 CPRs para 45,1 mil investidores.”
  36. T2 revisada
    Segundo o MPF, o plantel real era de 38 mil aves e 17 mil ovos.
    “Segundo o MPF, o plantel da Master contava, na verdade, com 38 mil aves e 17 mil ovos.”
  37. T2 revisada
    A falência recuperou R$ 18 milhões, menos de 2% de uma dívida de R$ 1 bilhão.
    “Os bens apreendidos foram leiloados por cerca de R$ 16 milhões que, junto com o que foi liberado para a Justiça durante o processo de falência, chegou a apenas R$ 18 milhões, nem 2% da dívida total, que somava R$ 1 bilhão.”
  38. T2 revisada
    O fundador morreu em fevereiro de 2008, aos 68 anos, ainda respondendo pelos crimes.
    “Em fevereiro de 2008, Maciel, então com 68 anos, morreu de câncer no fígado enquanto ainda respondia pelos crimes.”
  39. T2 revisada
    Em 2013 o TRF-1 manteve as condenações, em regime semiaberto, e retirou a obrigação de ressarcimento.
    “Em 2013, o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) manteve as condenações, mas em regime semiaberto, e retirou a obrigação de ressarcimento financeiro.”
  40. T2 revisada
    Em setembro de 2019 os três ex-diretores foram presos.
    “Em setembro de 2019, 14 anos após a quebra da empresa, Jerson Júnior, Patrícia e Emerson foram presos.”
  41. T2 revisada
    Em abril de 2022 o TJ-GO extinguiu por prescrição o processo criminal contra 18 acusados de fraude na gestão da empresa falida.
    “Em abril de 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) extinguiu o processo criminal contra 18 acusados de fraudes na gestão da empresa em processo de falência, alegando prescrição dos crimes.”
  42. T2 revisada
    A versão de que as aves do investimento não existiam circula até em reportagem recente.
    “Pirâmide de avestruz: lastro do investimento era em aves que não existiam”
  43. T2 revisada
    O TRF1 manteve a condenação de três ex-diretores por oferta pública de valores mobiliários sem autorização da CVM.
    “o TRF1 manteve a condenação dos réus pela prática dos crimes contra o sistema financeiro nacional (oferta pública de valores mobiliários sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários”
  44. T2 revisada
    O segundo crime da condenação foi a manutenção de investidores em erro com informações falsas.
    “manutenção de investidores em erro, mediante prestação de informações falsas”
  45. T2 revisada
    O TRF1 afastou o ressarcimento de danos que a sentença tinha imposto.
    “o TRF1 afastou a condenação em ressarcimento de danos, imposta na sentença”
  46. T2 revisada
    Três ex-diretores foram presos depois que a 11ª Vara Federal de Goiânia determinou o cumprimento da condenação.
    “Três ex-diretores da empresa Avestruz Master foram presos após a 11ª Vara da Justiça Federal de Goiânia determinar que eles cumpram a condenação por crime contra o sistema financeiro nacional.”
  47. T2 revisada
    O MPF pediu a execução da pena sustentando que ela não dependia do trânsito em julgado, porque os recursos restantes só discutiam questões de direito.
    “eventuais recursos cabíveis ao Superior Tribunal de Justiça e ao STF restringem-se à análise de questões de direito, de modo que a execução da pena não deve ser condicionada ao trânsito em julgado da condenação”
  48. T2 revisada
    A falência do grupo foi decretada pelo juiz da 11ª Vara Cível de Goiânia.
    “Foi decretada nesta quinta-feira (27/7) a falência do grupo Avestruz Master. A decisão é do juiz Carlos Magno Rocha da Silva, da 11ª Vara Cível de Goiânia”
  49. T2 revisada
    Com a morte do fundador, a ação penal por crimes falimentares seria arquivada em relação a ele, e os demais denunciados seguiriam respondendo.
    “vai aguardar a juntada da certidão de óbito do empresário nos autos para determinar o arquivamento do processo em relação a ele. Os demais denunciados seguirão respondendo à ação penal.”
  50. T2 revisada
    O fundador estava em prisão domiciliar e morreu no sábado, 23 de fevereiro, de câncer no fígado.
    “Jerson Maciel estava em prisão domiciliar. Morreu no sábado (23/2), após ter um câncer no fígado.”
  51. T2 revisada
    O juiz da falência determinou a liquidação dos bens arrecadados pela massa falida.
    “determinou, na quarta-feira (19/12), a liquidação dos bens arrecadados pela massa falida do grupo Avestruz Master”
  52. T2 revisada
    Na decisão que mandou liquidar os bens, o juiz registrou que a dívida fiscal das empresas com a Receita Federal passava de R$ 450 milhões.
    “O juiz lembrou que atualmente o débito fiscal das empresas com a Receita Federal ultrapassa R$ 450 milhões.”
  53. T3 terciária
    A Avestruz Master foi fundada em 1998 e tinha sede em Goiânia.
    “A Avestruz Master foi uma empresa do ramo de estrutiocultura fundada em 1998 e sediada em Goiânia, Goiás.”
  54. T3 terciária
    A Wikipédia ainda registra as penas de 2010 e a indenização de R$ 100 milhões, sem a revisão do TRF1.
    “Em 2010, a Justiça Federal condenou os dois filhos e o genro do dono da Avestruz Master a penas de doze a treze anos de prisão, além de serem obrigados a indenizar os investidores em R$100 milhões.”
  55. T2 revisada
    Pelos dados que a Polícia Federal apreendeu na sede, a dívida da empresa com os investidores equivalia a R$ 1,7 bilhão, em títulos a vencer em 14 meses.
    “Pela análise dos dados, a dívida da empresa com os aplicadores equivaleria a R$ 1,7 bilhão, em títulos a vencer em 14 meses.”
  56. T1 primária
    Corrigido pelo IPCA de dezembro de 2005 a setembro de 2026, R$ 1,7 bilhão de novembro de 2005 equivale a cerca de R$ 5,18 bilhões.
  57. T2 revisada
    Segundo o MPF, tratava-se de pirâmide financeira.
    “Segundo o MPF, tratava-se de pirâmide financeira.”
  58. T2 revisada
    Segundo um parecer do Senado, a empresa não vendia aves: recebia dinheiro e o usava para pagar outros clientes com CPR vencida.
    “Segundo o Parecer, a Avestruz Master não vendia aves, apenas recebia dinheiro e utilizava para o pagamento de outros clientes que já tinham CPR vencidas”
  59. T2 revisada
    Um consultor do Senado contou que a CVM lhe explicou que a empresa fazia um sistema de pirâmide.
    “Daí a CVM me explicou que o que de fato estava acontecendo é que essa empresa estava fazendo um sistema de pirâmide”
  60. T1 primária
    Nas filiais inspecionadas, a revenda da ave comprada por CPR era garantida na data de vencimento do título, com prazo de 3, 6 ou 9 meses, a valor pré-fixado.
    “junto à qual era conferida a garantia da revenda desse animal na data de vencimento desse título (3, 6 ou 9 meses de prazo), a um valor pré-fixado”

As imagens deste vídeo

Toda fotografia e todo documento que aparece no vídeo está listado aqui, com autor, licença e o endereço de onde saiu.
  1. Johnny Tilly / Pexels
    trecho de vídeo, exibido sem o som original · Licença Pexels (uso livre, inclusive comercial; atribuição não exigida)
  2. Gazeta do Povo, intertítulo (02/12/2025)
    Gazeta do Povo (Célio Yano), 02/12/2025 · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link · escolhida à mão, fora da busca automática
  3. Anderson Leme / Pexels
    trecho de vídeo, exibido sem o som original · Licença Pexels (uso livre, inclusive comercial; atribuição não exigida)
  4. Gazeta do Povo, o Procon nas fazendas (02/12/2025)
    Gazeta do Povo (Célio Yano), 02/12/2025 · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link · escolhida à mão, fora da busca automática
  5. CVM, PAS 23/04, a inspeção na sede (relatório, item 5)
    Comissão de Valores Mobiliários, decisão de 28/09/2006 · documento público (decisão de órgão regulador) · escolhida à mão, fora da busca automática
  6. Gazeta do Povo, o juiz e os cem anos (02/12/2025)
    Gazeta do Povo (Célio Yano), 02/12/2025 · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link · escolhida à mão, fora da busca automática
  7. Gazeta do Povo, o colapso (02/12/2025)
    Gazeta do Povo (Célio Yano), 02/12/2025 · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link · escolhida à mão, fora da busca automática
  8. Consultor Jurídico, falência decretada (27/07/2006)
    Consultor Jurídico, 27/07/2006 · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link · escolhida à mão, fora da busca automática
  9. Rota Jurídica, o TRF1 afasta o ressarcimento (30/10/2013)
    Rota Jurídica (fonte: MPF-GO), 30/10/2013 · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link · escolhida à mão, fora da busca automática
  10. Gazeta do Povo, a prescrição de 2022 (02/12/2025)
    Gazeta do Povo (Célio Yano), 02/12/2025 · citação de reportagem (Lei 9.610/98, art. 46, III), com veículo, data e link · escolhida à mão, fora da busca automática
  11. Brixiv / Pexels
    trecho de vídeo, exibido sem o som original · Licença Pexels (uso livre, inclusive comercial; atribuição não exigida)
37 diagramas animados, feitos para este vídeo. Todo número desenhado neles tem fonte na apuração acima.

A música deste vídeo

Música composta para este canal por geração local (ACE-Step 1.0, licença Apache-2.0), sem gravadora nem detentor de direitos. O pedido e a semente de cada peça ficam guardados.
  1. Composição gerada — tensao-investigativa 8
    ACE-Step 1.0 (geração local) · gerada localmente (ACE-Step 1.0, Apache-2.0); sem detentor de direitos
  2. Composição gerada — tensao-investigativa 2
    ACE-Step 1.0 (geração local) · gerada localmente (ACE-Step 1.0, Apache-2.0); sem detentor de direitos
  3. Composição gerada — tensao-investigativa 3
    ACE-Step 1.0 (geração local) · gerada localmente (ACE-Step 1.0, Apache-2.0); sem detentor de direitos
  4. Composição gerada — tensao-investigativa 9
    ACE-Step 1.0 (geração local) · gerada localmente (ACE-Step 1.0, Apache-2.0); sem detentor de direitos

Como esta apuração foi feita

O roteiro deste vídeo foi escrito a partir desta ficha e somente dela. Nada que não esteja aqui é dito no vídeo — nem uma data, nem um nome. Antes de virar roteiro, a ficha passa por três conferências automáticas: se cada citação existe mesmo no material recolhido, se cada data é confirmada na precisão em que é afirmada, e se a afirmação que sustenta o vídeo vem de fonte primária ou de literatura revisada — não de enciclopédia.

T1 primária registro primário: arquivo oficial, artigo original com DOI, patente, jornal de época. T2 revisada literatura revisada: livro, artigo acadêmico, base estruturada. T3 terciária enciclopédia — citada pela revisão exata consultada, porque a página muda e a revisão não.

Achou um erro? Aponte nos comentários do vídeo, com a afirmação e a fonte. Correção pública vale mais para este canal do que acerto silencioso — e o vídeo, uma vez publicado, não pode ser editado. Esta ficha pode: quando algo muda, ela é atualizada e a data abaixo muda junto.

Ficha 0001-avestruz-master · apurada em 2026-10-12 · publicada em 2026-10-13 · aprovado